Como você escolhe o primeiro processo para entregar a um agente?


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Escolha o processo que é repetitivo, que já está escrito em algum lugar, e que sai barato para errar. Não o que mais dói. Processos dolorosos costumam doer porque carregam julgamento, e julgamento é a última coisa que uma empresa deveria entregar a um agente. Quatro filtros decidem isso, nessa ordem: com que frequência o trabalho acontece, se ele já existe no papel, quão barato é consertar um erro, e se existe uma pessoa, com nome e sobrenome, dona do resultado. O trabalho do primeiro agente é provar que o ciclo de escrever, rodar e revisar realmente funciona. Ele não está ali para salvar a empresa.
Quando me sento com um dono de empresa pela primeira vez, quase sempre já existe uma lista esperando por mim: as quatro ou cinco coisas que ele mais quer tirar da própria mesa. Aprendi a não confiar na ordem em que essa lista chega. Ela está organizada pela dor, e dor não é a mesma coisa que estar pronto.
Organizo listas assim há muito tempo, bem antes de existirem agentes. Oito anos dentro da Tupy, a maior fundição da América Latina, me ensinaram a ler uma operação de verdade antes de dar qualquer conselho sobre ela: sentei com a logística, com as vendas, com o faturamento e a exportação, e construí os sistemas por onde a venda realmente passava, do pedido ao livro fiscal. Depois, quando cofundei a Sizebay, escrevi sozinha o primeiro algoritmo de validação e fiz a primeira venda com as próprias mãos antes de ensinar qualquer vendedor a fazer a próxima. O SEBRAE, a agência nacional brasileira da pequena empresa, não distribui seu credenciamento para quem só aparece. Ele valida primeiro o histórico real do consultor, e é exigente. Passei por essa avaliação, e desde 2019 uso o mesmo método em centenas de pequenas e médias empresas: entrevistar cada departamento, achar o que os dados já respondem, construir só o que falta.
Um agente é só a coisa mais nova que construo com esse método. A entrevista não muda. O que muda é que a resposta costumava ser uma planilha, ou um CRM finalmente conectado do jeito que deveria estar desde o primeiro dia. Agora ela pode ser um agente.
O instinto que mais corrijo
Projeto após projeto, o instinto é sempre o mesmo: ir direto para o processo que dói. O dono que odeia fazer orçamentos. A oficina que perde uma semana todo mês conciliando faturas. O negócio de serviço em que só uma pessoa consegue acalmar um cliente nervoso. Toda essa dor é real. Nenhuma delas, sozinha, me diz que o processo está pronto para um agente.
Trabalho doloroso costuma doer porque alguém dentro dele está tomando uma decisão de julgamento, e julgamento é a última coisa que se delega a um iniciante, seja esse iniciante um novo contratado ou um agente novo. Automatizar primeiro o processo doloroso não remove o julgamento. Só torna mais difícil enxergar onde ele desapareceu.
Os quatro filtros que eu realmente uso
Este é o método de trabalho que levo para a sala, o mesmo que antes organizava pedidos de planilha e agora organiza candidatos a agente.
Frequência. Tem que acontecer semanalmente ou mais. Uma tarefa trimestral não dá ao agente, nem a quem revisa, repetições suficientes para criar o hábito de conferir o trabalho.
Forma escrita. Em algum lugar, um template, um checklist, uma troca de e-mails antiga ou uma planilha já mostra como o trabalho é feito hoje. Se a única cópia mora na cabeça de alguém, escrevê-la é a primeira semana do projeto, não uma etapa que dá para pular.
Erro barato. Um resultado errado deve custar uma correção, não um cliente, uma quantia em dinheiro ou uma assinatura em contrato. Mantenho o primeiro agente longe de qualquer coisa que toque dinheiro ou a caixa de entrada de um cliente sem supervisão.
Um responsável com nome. Uma pessoa, com nome e sobrenome, é responsável por revisar o resultado e dizer quando está bom o suficiente. Sem responsável, sem agente. Nunca vi esse filtro deixar de importar.
Não julgo o primeiro agente pelo tempo que ele economizou. Julgo pela capacidade do time de rodar o próximo sem mim na sala.
Como é a primeira semana
A primeira semana nunca começa com o agente. Ela começa com o processo, escrito do jeito que ele realmente roda hoje, exceções incluídas: o cliente que sempre pede desconto, a fatura que nunca bate com o pedido de compra, o serviço que chega numa sexta-feira à tarde. Peço para quem é responsável pelo processo definir, em uma frase, como é um resultado correto: algo que a pessoa revisando consiga conferir em menos de um minuto.
Só então o agente roda, e roda ao lado da pessoa que fazia o trabalho manualmente, por alguns ciclos, não apenas um. Toda correção volta para o processo escrito, nunca para um prompt privado que só uma pessoa consegue ver. Essa é a mesma disciplina que carrego desde a Tupy e desde a Sizebay: o valor nunca está no que eu sei, está no que o time consegue continuar usando depois que eu saio da sala. Ao fim da primeira semana, o time é dono de duas coisas: um documento e o hábito de conferi-lo. O documento vale mais do que o agente.
Depois você repete no próximo processo, e dessa vez o time roda o ciclo sem mim.
O que isso tem a ver com a Holybiz
Essa não é uma habilidade nova que aprendi porque os agentes chegaram. É o mesmo ofício que pratico desde a Tupy e desde a Sizebay, agora direcionado a um novo tipo de contratação. Na Holybiz, é aqui que todo projeto começa, do jeito que Janderson e eu tocamos a nossa própria empresa: mapear como o trabalho realmente acontece, encontrar a única peça que está pronta para ser entregue, e deixar o dono com um time, agentes incluídos, que ele consegue rodar sem nós.
Organize sua lista pela prontidão, não pela dor. Os processos que mais doem costumam carregar julgamento, que é a última coisa a se delegar.
Se ninguém escreveu o processo, escrevê-lo é a primeira semana inteira, e isso se paga sozinho mesmo que nenhum agente chegue a ser construído.
Toda correção pertence ao processo escrito, nunca a um prompt privado que só uma pessoa consegue ver.
Não meço o primeiro agente pelo tempo que ele economizou. Meço pela capacidade do time de rodar o próximo sem mim.
Este é o mesmo método que uso desde a Tupy e a Sizebay: entrevistar o departamento, achar o que os dados já respondem, construir só o que falta. Um agente é só a coisa mais nova que esse método constrói.
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